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Throwing Punches, uma agência de “pêlo na venta”

Numa conversa fluída a três, Rita Sedas e Diogo Barbosa abriram as portas da Throwing Punches ao Altamont.

Amigos há algum tempo, recentemente decidiram criar uma agência de música que, como explicam, é muito mais que uma simples promotora.

Altamont: Como começou esta ideia de fazer uma agência de música?

Diogo Barbosa – Era uma ideia que eu tinha e a Rita também [Rita ri e interrompe].

Rita Sedas – Muito explicativo!

Diogo Barbosa – É o que é!

Rita Sedas – Pronto então eu vou explicar. Eu estava a trabalhar antes no meio e o Diogo veio falar comigo – nunca soube que tinhas esse desejo antes – para poder trabalhar na Ás de Espadas, só que não se proporcionou. Também não fiquei lá muito tempo e quando saí, decidi que queria fazer uma coisa minha, porque ganhei o bichinho [risos]. Havia algumas pessoas que já estavam à espera do meu trabalho e por isso pensei em criar a minha própria agência. Falei depois com o Diogo porque ele já tinha mostrado interesse.

Diogo, tinhas alguma experiência prévia neste meio?

Diogo Barbosa – Não. Licenciei-me em Ciências da Comunicação e tive toda aquela parte teórica daquilo que é uma agência da parte da publicidade e relações públicas. Mas sou músico, tal como a Rita, e isto foi uma forma de juntar as duas coisas. Eu gostar de música e ter formação nesse sentido.

Rita Sedas – Para mim esta aventura da comunicação, management e booking de bandas vem pela necessidade de ter de fazer isso com a minha banda.

O que faz uma agência musical?

Rita Sedas – Pode fazer muitas coisas! A nossa faz management de artistas, da sua carreira musical, faz booking, concertos, espectáculos e a promoção de discos, singles, o que quiserem.

Rita Sedas, vocalista das Anarchicks e metade da Throwing Punches
Rita Sedas

Acompanham o artista desde o momento criativo aos concertos?

Diogo Barbosa – Não necessariamente, há pessoal que só quer uma coisa ou outra.

Rita Sedas – Pois, não é exclusivo. Não têm de entrar e ter o pacote todo, podem escolher o que querem fazer connosco.

E como descobrem um artista para trabalhar convosco?

Diogo Barbosa  – Até agora tem sido o pessoal a vir ter connosco, o que é fixe. Eventualmente será uma necessidade de ir a concertos de bandas mais underground mas até agora temos tido bastante sorte e todas as bandas é que nos contactaram.

Rita Sedas – Nem todas. Andrage fui eu que fui atrás deles, mas as outras sim.

Nas apresentações da agência dizem que têm uma atitude punk-rock. Em que é que isto se traduz na prática?

Diogo Barbosa – Coisas da Rita [risos].

Rita Sedas – Que não se confunda! Não somos uma agência só para bandas punk-rock, cuidado! Para mim uma atitude punk-rock é a atitude de chegar à frente sem medos e ter uma personalidade forte e vincada. É isso que vejo nos nossos agenciados e não poderia ser de outra forma. E acho que é assim que encaramos a vida. Tens uma opinião diferente Diogo?

Diogo Barbosa – Se tivéssemos muitas opiniões diferentes também não trabalhávamos juntos.

Rita Sedas – Não é sempre igual.

Diogo Barbosa – Obviamente.

Diogo Barbosa, dos David From Scotland e metade da Throwing Punches
Diogo Barbosa

Têm muitas discussões criativas?

Diogo Barbosa – Não.

Rita Sedas – Não são bem discussões. São opiniões diferentes.

Diogo Barbosa – Tivemos aí uma ou duas.

O que faz o perfil de um artista Throwing Punches?

Rita Sedas – Para mim tem de ter algo que destaque a nível musical e pessoal. Já disse isto algumas vezes, não me identifico a trabalhar com pessoas que sinta que não têm uma mensagem especial a passar ou uma personalidade atrativa, em termos de história ou da mensagem que querem expressar. É muito importante o lado humano. Gosto de explorar isso e perceber se o artista tem essa parte ou se é uma pessoa que toca ou põe música e já está. Por isso gosto sempre de ter uma conversa com as bandas, falar com elas um bocadinho, conhecê-las e perceber como a mensagem vai sair cá para fora quando derem entrevistas. Perceber se têm um conteúdo que seja interessante para outros. Depois é ter pêlo na venta.

Diogo Barbosa – Sim, às vezes é tão simples quanto isso. Quando estamos a ouvir uma coisa e a gostar dessa banda, desse músico. A partir daí é o que a Rita diz. Acho que não é do interesse de ninguém trabalhar com malta de quem não gostamos ou pessoal chato. No nosso caso temos essa sorte de poder escolher e ter essas conversas.

Serem os dois músicos ajuda a guiar artistas novos?

Rita Sedas – Acho que é essa a diferença. Pelo menos é o que queremos transmitir com esta agência. Não somos pessoas licenciadas, sei lá, em management-de-coisas e estamos a gerir carreiras. A grande diferença é perceber o outro lado, porque nós também lá estamos. Foi uma das coisas que senti quando Anarchicks trocaram de agência. Passei de um ambiente de profissionais que geriam carreiras para passar a trabalhar com músicos que geriam carreiras. O tacto, a maneira como se empenham, é completamente diferente e é isso que queremos transmitir às pessoas que trabalham connosco porque nós também estamos dos dois lados. Somos artistas e percebemos o que custa ir para a estrada e não receber muito dinheiro. Conseguimos ter esse tacto, que é uma das coisas grandes em que somos diferentes de outras agências.

Diogo Barbosa – Não tenho nada a acrescentar. É isso. Como estamos dos dois lados conseguimos sentir na pele o músico que é mal pago ou que tem dificuldade de arranjar sítios onde tocar. Acho que a arma principal  de um agente são as pessoas que conhece. Todos os projectos e trabalhos de produção que fizemos deram-nos a conhecer muita gente, em rádios, imprensa… Isso acaba por distinguir um agente.

Rita Sedas – Este ano não tem sido fácil com a pandemia mas começámos bem lançados. Agora vamos voltar a marcar entrevistas e concertos.

A Throwing Punches representa Anarchicks, David From Scotland, Andrage, King John, Midnight Ambassador e Claraboia.

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