Canção do dia

“Lady” – Fela Kuti

A canção faz parte do álbum Shakara que contém apenas duas faixas, “Lady” e “Shakara”. É lançado na década de 70 (em 1972), altura em que Kuti se distancia do tradicional registo highlife e começa a misturar os estilos africanos com funk, jazz, soul e até rock psicadélico, numa combinação que lhe é característica e que baptizou de afrobeat.

É também nesta altura que assume a sua consciência política como parte integral da sua música, uma decisão que marcou a sua carreira e vida desde então.

Numa altura em que o feminismo está na moda e começa e acaba em envergar t-shirts com frases feministas, vale a pena escutar esta canção. A sua verdadeira mensagem é altamente controversa e, se há quem a defina como um hino feminista africano, há também quem a considere misógina.

A canção fala da resistência da mulher africana aos papéis que lhes são atribuídos pela sociedade patriarcal e da influência dos padrões ocidentais nos comportamentos das mulheres africanas. Embora não seja claro se quando Kuti enumera as atitudes emancipadas destas mulheres se o faz em forma de elogio ou de crítica, esta é uma canção de referência.

Porque, como diz uma amiga minha, “o feminismo não se pode comprar na Bershka por 15,99€”, vale a pena, independentemente da interpretação que se der à canção, escutá-la e perceber que a luta pela igualdade de direitos não é linear e exige muito mais do que bonitos slogans.