Canção do dia

“Even in His Youth” – Nirvana

5 de Abril de 1994. Kurt Cobain suicida-se na sua casa em Seattle. Tinha 27 anos liderava a maior banda de Rock dos anos 90, os Nirvana, e foi o porta-voz de uma geração . Milhões de miúdos e milhares de graúdos ficaram totalmente desamparados. Foi há 24 anos.

O grunge nunca foi sobre “o som de Seattle”. O “género musical” diz mais sobre a localização geográfica das bandas que são associadas ao movimento e ao seu aspecto visual (t-shirts, camisolas e calças de ganga largas; camisas de flanela; cabelo comprido e despenteado e botas Doc Martens) do que sobre a biblioteca musical das bandas de Seattle do início da década de 90.

Na verdade, o único elemento musical que liga as bandas de Seattle são as letras das suas canções, fruto das experiências comuns aos seus autores. Grande parte das canções “grunge” falam sobre problemas sociais e políticos (‘New Damages’), consumo de droga (‘Would?’), amores falhados (‘Drain You’), morte (‘Say Hello 2 Heaven’) e problemas familiares (a trilogia ‘Mamasan’).

O tema da canção do dia de hoje reflecte este último tema, bastante popular entre músicos da década de 90 cujos pais – os jovens do Verão de Amor – se divorciaram, numa sociedade americana ainda bastante conservadora. Músicos como Eddie Vedder, Billy Corgan, Layne Staley ou Kurt Cobain viveram situações familiares bastante instáveis, o que influenciou a sua forma de ver a instituição familiar, uma visão que passaram para as suas letras.

Editada pela primeira vez no EP Hormoaning, “Even in His Youth” é uma canção sobre a relação de Kurt Cobain com o seu pai, Donald Leland Cobain. Versos como ‘Even in his youth/He was nothing’, ‘Daddy was ashamed/ He was something’ ou ‘Smear the family name/ He was something’ tornam esta uma das letras mais pessoais que Kurt Cobain escreveu durante a sua carreira.

A letra da música mostra a forma como Kurt achava que o pai o via: um falhado do qual sentia vergonha. Esta ideia foi reforçada por Donald Cobain ter abandonado Kurt e a sua mãe e ter criado uma nova família, onde o jovem vocalista dos Nirvana nunca se sentiu integrado. O jovem Kurt não conseguiu lidar com este abandono e rebelou-se contra a instituição familiar, como mostra o óptimo documentário Cobain: Montage of Heck.

A revolta juvenil de Kurt sente-se na construção musical desde a guitarra crua e distorcida à voz que grita as palavras com uma raiva pungente que nos faz querer revoltar contra o próprio Donald Leland Cobain. Uma catarse de um músico que ajudou a unir uma geração “perdida”.

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