Canção do dia

“Crossroads” – Robert Johnson

O miúdo Robert Johnson vivia numa plantação do Mississippi e tinha um sonho: tornar-se um grande músico de blues. Mas a verdade é que não tinha assim tanto jeito para a música. Alguém se apercebeu da oportunidade de ouro que ali se apresentava e aconselhou o jovem a ir até a um cruzamento, à meia-noite, e que levasse a guitarra.

Então, a meio da noite, lá saiu o jovem Robert de sua casa, com a sua guitarra às costas, a caminho do prometido cruzamento. Lá chegado, encontrou um grande negro que lhe tirou a guitarra das mãos e a afinou. Depois esse mesmo homem começou a tocar umas canções – uns blues demoníacos de certeza! – e devolveu a guitarra ao jovem Johnson.

Ora, este tal homem era o diabo e ao aceitar a guitarra de volta, Johnson estava a concordar vender a sua alma imortal em troca de se tornar o melhor músico de blues do mundo.

Poderíamos até dizer que isto é um velho conto de fadas e que a história é igualzinha à de Fausto. Mas a quem pensar isto, há apenas uma resposta possível: será possível alguém compor a canção “Crossroads” e tocá-la como Johnson fez sem ter vendido a alma?!

Se for preciso provas da evolução estonteante, o próprio Son House garantiu que esta história era verdadeira, dizendo que viu Johnson uma primeira vez e que era um miúdo que mal se ajeitava com a guitarra e que passado dois anos era o mestre de “A Love in Vain”. Só havia uma explicação para esta ascenção meteórica: o diabo. E quem pode duvidar de Son House?

Para mais, Johnson morreu aos 27 anos – o primeiro membro desse exclusivo clube -, sem que as causas por detrás da sua morte fossem conhecidas. O músico simplesmente desapareceu do mapa, um dia. Passados três anos, um musicólogo estava a pesquisar sobre a vida do bluesman e descobriu a sua certidão de óbito que não referia causa (nunca foi feita uma autópsia), apenas local e data. O homem tinha sido encontrado morto, na berma da estrada, perto de uma quinta. Há relatos de que terá sido assassinado por um marido ciumento de uma mulher por quem Johnson se tinha embeiçado. Há quem diga que tenha chegado a hora do diabo levar a sua alma. Nunca se saberá o que verdadeiramente aconteceu, pois o diabo trabalha por caminhos sinuosos, como cruzamentos

Já agora, todos os músicos de blues estão em dívida para com Robert Johnson. Graças à sua influência, mais nenhum músico teve de voltar a vender a alma a Belzebu para se tornar um homem do blues.