Canção do dia

“Dr. Martin Luther King Suite” – Nina Simone

As mãos fechavam-se em punhos de raiva e as lágrimas escorriam pelas faces. O Dr. Martin Luther King, Jr. tinha sido assassinado. Tinha morrido um homem que sempre tinha lutado pelo bem, neste mundo. A luta pelos direitos civis dos afro-americanos levou um golpe devastador, um golpe que não passou despercebido a Nina Simone e à sua banda.

No dia 7 de Abril de 1968, três dias depois da morte do Dr. King, Nina Simone e a sua banda deram um concerto que foi, ao mesmo tempo, uma cerimónia fúnebre. Esta canção do dia é diferente: não fala apenas de uma música, mas das três que compuseram a elegia feita a Martin Luther King.

A elegia começou com ‘Sunday in Savannah’, uma canção doce e nostálgica, sobre ir à igreja em Savannah, uma comunidade religiosa pacífica, tal como Martin Luther King gostaria que acontecesse em todo o mundo.

A canção seguinte da suite foi composta pelo baixista Gene Taylor, depois de saber da morte do pastor que sonhou com um mundo melhor.

“Esta canção foi escrita sobre ele. E para ele”, afirmou Nina Simone antes de se lançar à canção Why? (The King of Love is Dead)”. A letra reconta a história do homem que “pregou sobre amor e liberdade pelos seus irmãos”, que proclamava algumas das mensagens da Bíblia: “Dá a outra face, Ama o próximo”. Nina relembra o homem que não temia nem a “dor, nem a humilhação, nem a morte”.

“O meu país vai cair ou manter-se-á de pé?/Será demasiado tarde para todos nós…?/ E será que Martin Luther King morreu em vão?” interroga-se Nina Simone, receando que todo o trabalho feito pelo pastor “que tinha visto o topo da montanha” tenha sido em vão.

“Porquê, mas porque é que ele foi assassinado?” vocifera a High Priestess of Soul, questionando-se por fim: “O que é que vai acontecer, agora que o rei do amor morreu…?”

A última canção da suite “Mississipi Goddam” foi composta por Nina depois de saber da morte de Medgar Evers e do bombardeamento numa igreja batista em 1963, que matou quatro crianças.

No entanto, cantada no concerto dado três dias depois da morte de Martin Luther King, a música ganha uma força ainda maior, principalmente quando a cantora entoa: “Eu penso que todos os dias vão ser o meu último/ Senhor, tem misericórdia desta minha terra” ou “Não precisas de viver ao pé de mim/ Dá-me apenas a minha igualdade!”

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