Ricardo Romano
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"Um bom disco justifica sempre os meios”- defendeu-se Ricardo Romano, ao ser acusado de ter vendido o rim esquerdo da sua tia entrevada para comprar uma edição rara do Led Zeppelin II - o melhor disco de sempre. O juiz não se convenceu, mandando-o para uma prisão com condições desumanas, onde uma vez foi obrigado a ouvir do princípio ao fim um disco do Neil Diamond. Actualmente em liberdade, cumpre pena de trabalho a favor da comunidade no site Altamont mas a proximidade com boas colecções de discos não augura nada de bom.

Sérgio Godinho – Os Sobreviventes (1972)

Sérgio Godinho encontrou uma identidade própria logo no seu disco de estreia. “Que Força é Essa”, “O Charlatão” e “Maré Alta” perduram até hoje.

Vem aí especial Sérgio Godinho no Altamont

Obrigado, Sérgio. Faz tão bem saber com quem contar…

John Lennon – Plastic Ono Band (1970)

O melhor disco de um Beatle a solo. Lennon escarafunchando as suas feridas com uma chave de fendas e gritando.

Stevie Wonder – Innervisions (1973)

O menino-prodígio da soul faz-se um homem, com um disco que tem tanto de político como de espiritual. Nove canções perfeitas, transbordantes de luz interior.

Dusty Springfield – Dusty In Memphis (1969)

A soul acontece quando uma alma transborda. Dusty in Memphis é um extravasante dilúvio.

Velvet Underground – White Light/White Heat (1968)

Ainda as flower girls de Manson não haviam cortado Sharon Tate em pedacinhos, já os Velvet suspeitavam que havia algo de profundamente pueril na utopia hippie. White Light/White Heat nem chega a ser desencantado porque nunca teve ilusões.

Manu Chao – Clandestino (1998)

Um disco de Verão, cheio de boas vibrações caribenhas e uma névoa forte de marijuana a sair das colunas de som.

The Beach Boys – Surfin’ U.S.A. (1963)

Querem evocar a candura do início dos anos 60? Nada melhor do que o veraneante Surfin’ U.S.A..

Chuck Berry – Berry Is On Top (1959)

Se Little Richard era o filho, e Elvis o espírito santo, Chuck Berry será sempre o pai. Devemos-lhe tudo.

Elvis Presley – Elvis Presley (1956)

“Antes de Presley, não havia nada”, diria John Lennon, dramatizando o impacto deste disco.

Bob Dylan – Rough and Rowdy Days (2020)

Dylan oferece-nos uma comovente reflexão sobre a mortalidade, a arte e a memória. Estamos em crer que este miúdo vai longe…

Depeche Mode – Violator (1990)

Electrónicas frias e guitarras orgânicas. Gelado de limão com chocolate quente…

Asimov and the Hidden Circus – Flowers (2020)

Ao quarto capítulo, os portugueses Asimov fazem o seu melhor disco: selvagem, psicadélico e tribal. Para aplacar os maus espíritos do tempo, pendurando cabeças humanas em paus. 

Little Richard – Here’s Little Richard… (1957)

O álbum de rock’n’roll dos fifties mais consistente e electrizante. Punk antes do punk. Glam antes do glam.

Hoje somos George Floyd

Nas próximas duas semanas, como forma de prestarmos a nossa solidariedade com o movimento “black lives matter”, daremos destaque a grandes discos da música negra americana, e ao impacto incalculável que tiveram sobre toda a música pop anglo-saxónica. Hoje somos George Floyd. E George Floyd mais não é que todos nós.

João Peste: A pop não se tem sabido reinventar

No dia do lançamento do novo disco dos Pop Dell’Arte, Transgressio Global, estivemos à conversa com João Peste. Tudo girou à volta da ideia de transgressão, de como a pop não pode desistir de ser transgressiva em relação à estética…

Duran Duran – Rio (1982)

Alguém disse que o primeiro dever da pop é capturar o presente e Rio grita “1982!” a cada instante.

Pop Dell’Arte – Transgressio Global (2020)

Ao quinto disco, os Pop Dell’Arte fazem um apelo: desobedeçam, desobedeçam sempre, porque só desobedecendo o mundo gira e avança.