Joana Canela
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Saí para o mundo em 91. Licenciei-me em Jornalismo e andei por aí a fazer coisas até um dia ter percebido que o que queria mesmo fazer da vida era escrever sobre música. Porque a vida não teria metade da intensidade se não tivéssemos uma banda sonora constante. É tão bom ser compreendida assim e poder compreendê-la também. De bloco de notas na mão e mochila às costas a pensar que a vida é só rock'n'roll.

“Bennington” – John Maus

Com um pé na synth-pop e outro no pós-punk, John Maus promete ser o vosso guia espiritual, o vosso parceiro de dança e eterno deus do profano. A hóstia é “Bennington” e o vinho fica por vossa conta. Avé sexta-feira.

“Beija-Flor” – Manel Cruz

Conta-me mais verdades, Manel,
E depois, faz o que fazes melhor
E põe o amor por palavras
Para ele finalmente poder voar.

“Satan In The Wait” – Daughters

À falta de eventos ao vivo, escutemos a loucura que uma só música pode conter. 

“(I Am Taking Out My Eurotrash) I Still Get Rocks Off” – Blonde Redhead

Em “(I Am Taking Out My Eurotrash) I Still Get Rocks Off” ainda temos as suas vozes cruas, quase aflitas, e os seus recantos explorados num êxtase de infinitas emoções e descompressões.

“Waltz 2 (xo)”  – Elliot Smith

Talvez sejamos sádicos por gostar de um tema tão triste, talvez sejamos bons por compreender a sua dor, mas o Altamont é livre de julgamentos, por isso sejamos felizes na sua melancolia, para que ela nunca seja vã.

Playlist da Semana: Voz de Feiticeira

Do ocaso brotou um mensageiro que gritou “As feiticeiras ceifam corações!”. Ninguém acreditou nele e para sempre os feiticeiros perderam a voz, vivendo ao lado das feiticeiras que se eternizaram nesta playlist.

“I Want You (She’s So Heavy)” – The Beatles

Abbey Road é o álbum mais sexual dos Beatles e este tema tanto faz jus a esta premissa que poderia estar à venda nas farmácias como potenciador da líbido.

Explosions in the Sky || Aula Magna

Na consagração dos seus vinte anos, os Explosions in the Sky visitaram um bocadinho de cada um dos seus lugares felizes. Álbuns e canções que foram nossos também e que, com as suas visitas, nos continuam a criar memórias, memórias…

Chromatics – Closer To Grey (2019)

O último trabalho dos Chromatics tem uma dualidade de constrastes de cores e ambientes que se propaga por todo o disco e nos devolve à realidade com uma aura de um cinzento mais reluzente.

Vem Aí Festival: Amplifest 2019

Entre 12 e 13 de Outubro, a Amplificasom toma de assalto a sua casa de sempre, o Hard Club, na cidade do Porto, acompanhada de nomes como Daughters, Pelican, Deafheaven, entre outros.

Cate Le Bon – Reward (2019)

Em Reward, a solidão deixa de ser um bicho feio: Cate Le Bon transforma-a numa glorificação da independência e da mudança, num álbum coeso onde funde gentilmente a nostalgia de um passado feliz e a reconstrução de um novo presente.

Red Fang || Lisboa ao Vivo

Para palatos tão refinados como grosseiros, nada como contrariar a pacatez de um domingo soalheiro e ventoso com um digestivo americano de nome Red Fang.

Mono – Nowhere Now Here (2019)

Ao décimo álbum de estúdio, os japoneses Mono concentram-se em fazer-nos sentir em casa com melodias acolhedoras e caseiras.

Low || Lisboa ao Vivo

Românticos incuráveis, os Low apresentaram o mais recente Double Negative, sempre envoltos num pano de melancolia que desencorajaria qualquer crente.

The Beatles – Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967)

Sgt. Pepper foi o auge da excentricidade dos Beatles. Em pleno Verão do Amor de 67, a criatividade da banda de Liverpool levou-os mais longe do que eles próprios, marcando a história da música com um dos melhores e mais complexos álbuns de sempre.

Super Bock Super Rock: há novidades no cartaz e no festival

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José Gonzalez || Aula Magna

Na última quarta-feira, a plateia da Aula Magna deixou-se embeiçar pelo indie-folk romântico de José González. Uma noite onde a música se encarregou de reunir, num surto introspectivo, as recordações dos que por ali buscavam ouvir-se ou compreender-se naqueles versos.

José González é um nome que já nos é familiar, mas é a sua voz que torna inconfundível. Dois anos volvidos desde o lançamento do último álbum Vestiges & Claws, que serviu de desculpa à sua anterior passagem pela capital, o músico regressou na quarta-feira passada a Lisboa para uma noite de casa quase-cheia na Aula Magna.

Surgindo tímido e desacompanhado, González esclareceu desde o início a diferença entre a concepção cliché do “gajo com a guitarra” e o artista singelo, fugindo sorrateiramente a esse estilo pré-definido. Pois bem, o também membro dos Junip não é um gajo qualquer: o seu característico tenor sussurrado e os seus acordes doces (ocasionalmente a fazer lembrar a densidade da guitarra de Norberto Lobo, por exemplo) disputam assim os corações do público mas é a fusão dos dois que o retira da lista de lugares-comuns da música.

O repertório escolhido não mostrou preferências entre álbuns, houve um pouco do mais recente, um tanto ou quanto de In Your Nature e um outro tanto de Veneer, o mais velhinho dos três LPs. Mas acabou por ser o público a decidir, com base nas mais audíveis reacções, que seriam Crosses ou Killing For Love, a par e par com as covers Heartbeats (The Knife) e Teardrop (Massive Attack), as últimas já reservadas para o encore.

Entre as faixas do alinhamento, é possível que alguém se perca entre sonoridade demasiado semelhantes, mas é também inegável a capacidade dessas mesmas canções guiarem os transeuntes do espectáculo por cenários idílicos, numa escuridão diferente da que cai sobre a Aula Magna. Aliando a sua herança sueca e a sua influência da Argentina (país de onde saiu com apenas um ano de vida), Gonzalez faz música embebida em memórias – suas e de outros passageiros desta vida. Talvez por isso, neste caso específico, o preferisse antes ver num contexto de festival (e acho que nem nunca preferi tal coisa), mas apenas para o poder ouvir num final de uma tarde de verão, arrefecida pelo pôr-do-sol.

Há uma quantidade generosa de engenho que o músico deposita na sua arte. E é assim, com maturidade nas suas palavras e doçura nas cordas, que José González nos proporciona uma noite nostálgica, que nunca chega a ser triste, porque temos sempre a sua voz para nos reconfortar.

De Lisboa para o mundo: o Lisbon International Music Network

A acontecer a 1 e 2 de Junho, o MIL define-se como um ponto de encontro entre profissionais do mundo da música, com foco em fomentar o intercâmbio de artistas.