Alexandre Pires
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Nasci em terras de Vera Cruz, decorria ainda a década de 70. De pequenino me apercebi que estava destinado a grandes feitos e quis desde logo deixar a minha marca, começando por atravessar o Atlântico a nado. Dessa experiência guardo sobretudo água salgada nos ouvidos, água essa que me impediu de dar ouvidos ao meu pai que queria fazer de mim engenheiro. Hoje, quando me perguntam a profissão, não sei o que responder. Tenho vários chapéus que vou usando consoante a ocasião, desde economista proeminente a futebolista de sonho, de crítico de música amador a empreendedor visionário, de tenista de meia tigela a DJ concorrido, de amante cinéfilo a pai dedicado.

caroline || B.Leza: o nome do local do concerto não podia ser mais apropriado
Concerto enxuto da banda britânica, levando-nos na sua montanha russa sonora cheia de loops, descidas vertiginosas e pausas para recuperar fôlego. Durante muitos anos, o bardo que vive na aldeia do Asterix chamou-se Assurancetourix. Em 2002, alguém que não tem…
bbb hairdryer || Musa Marvila: ode ao poder da distorção

Concerto vibrante dos bbb hairdryer, de descarga alta e de uma sonoridade que parece estranha pela crueza, mas que agarra incautos e entranha-se rapidamente em quem vem para se deixar levar pela santa trindade guitarra-baixo-bateria.

Coldplay – Parachutes (2000)

Aquele momento em que alguém tem a ousadia de escrever sobre os Coldplay, num site de melómanos com a mania que percebem muito mais de música do que qualquer outro ser no planeta e tenta fazer disso uma dissertação de mestrado.

Bill Callahan – My Days of 58 (2026)

Aos 58 anos (entretanto já fez os 59), Callahan parece menos interessado em esconder-se atrás de narradores ambíguos e mais disposto a falar de si próprio.

Rádio Clube Altamont #50 – Summer of Hate | Beck | Uivo

Poucos acreditariam que iríamos chegar ao quinquagésimo episódio de Rádio Clube Altamont, mas eis que aqui estamos! Para começar o mês de Março, temos para apresentar o disco “Blood & Honey”, dos portugueses Summer of Hate, uma centrifugadora pop de…

Kings of Convenience – Riot on an Empty Street (2004)

Um pequeno motim doméstico contra o inverno, vencido não pela força, mas pela delicadeza de duas vozes, e o simples milagre de ficarmos quentes por dentro.

Mães Solteiras – Vamos ser breves (2026)

Prometiam que iam ser breves e cumpriram, não avisaram é que no final iríamos estar derreados.

Pearl Jam – Vs. (1993)

O segundo álbum da banda de Seattle é músculo e nervo, com uns recantos bonitos de vivenciar. Lembro-me de ouvir Vs. vezes sem conta, na adolescência inquieta, naquele ritual quase religioso de pousar o CD no leitor, carregar no play…

Cameron Winter – Heavy Metal (2024)

Há discos que chegam como um manifesto silencioso, quase um sussurro teimoso contra a corrente do tempo, no qual ficas a matutar para lá do seu término.

Linda Martini || Casa Capitão: o rock vai-nos devoraaaar
Concerto portentoso de uma banda que vai provando, vezes sem conta, ser um porta-estandarte não só do rock nacional, mas sim de toda a música que se faz em Portugal. Uma das grandes variáveis que determina a forma de absorção…
Dry Cleaning – Secret Love (2026)

Em Secret Love, os Dry Cleaning parecem fazer algo paradoxal: consolidam a sua identidade ao mesmo tempo que a colocam discretamente em causa.

Cortada – Gānbēi ( 干杯 ) (2025)

Gānbēi (干杯) dos Cortada é um soco rápido e certeiro: oito faixas que variam entre chapadas e piscadelas de olho, sempre com a urgência de quem vem do punk e do noise e não tem tempo a perder.

Water From Your Eyes || Casa Capitão: o termómetro nunca passou do morno
Concerto morno dos Water From Your Eyes, com níveis de bateria em baixo a contrastarem com a energia que o seu repertório origina. Ainda há poucos dias aqui tínhamos colocado a crónica ao mais recente disco dos Water From Your…
Water From Your Eyes – It’s a Beautiful Place (2025)

Há discos feitos para sair do caos. It’s a Beautiful Place, suspeito, foi feito a partir do caos e no caos reina, no seu desleixo estudado.

Destroyer || Casa Capitão: Savage Night no Beato

Concerto imponente de Destroyer, a subjugar-nos à sua aura, presença em palco, banda, e extraordinário repertório musical.

Bonnie Prince Billy || Teatro São Luiz: o bardo desceu à aldeia

Inserido na 3ª edição do Vale Perdido (sobre o qual tivemos o prazer de conversar com o seu organizador Sérgio Hydalgo), o concerto de Bonnie Prince Billy no Teatro São Luiz encantou pela sua simplicidade.

Clap Your Hands Say Yeah! – Clap Your Hands Say Yeah! (2005)

O álbum homónimo de Clap Your Hands Say Yeah é o retrato de uma adolescência tardia — não a dos anos, mas a da música independente, que ainda acreditava que bastava um grupo de amigos, uns amplificadores e um site manhoso para mudar alguma coisa.

Broken Social Scene – Broken Social Scene (2005)

Broken Social Scene é o som da tentativa, da convivência, do erro transformado em arte. É barulho que se transforma em respiração. Mesmo vinte anos depois, ainda diz: sim, a confusão pode ser uma casa.